.... disseram que a Lua caiu naquele dia


Aonde você estava quando a Lua caiu?(pensamentos sobre uma manhã de 11 de setembro)


Uma sensação similar a esta foi o que sentimos naquela manhã de terça feira 11 de setembro de 2001 .

Estava no meio de uma aula quando tive um certo mal estar no “timming” exato da tragédia ocorrida, sem saber da mesma(cheguei a indagar depois uma freira, um pai de santo e um pastor qual seria a explicação do mesmo arquivo X que passei...).

Terminando a aula em questão, vi uma movimentação geral na escola; o pessoal falando aos berros do ocorrido, alguns ligando para familiares, outros achando que já era o inicio da III guerra,um clima tipicamente brazuka de transformar até tragédias alheias em final de copa do mundo.

Foi a primeira grande catástrofe num centro urbano da era midiática, transmitida em real time para o planeta inteiro, mostrando que o ufanismo geral da dita globalização escondia muitas mazelas e problemas sociais gerais que explodiam via intolerância de ambas as partes.

Cada um puxava a sardinha para seu lado , teorizando conspirações políticas, apoiando um lado,ferrando o outro... um jogo de xadrez que vemos desde a época de Caim e Abel no qual quem se fode é sempre a raia miúda e muita gente( de ambas as partes ) ganha e fatura em cima, desde fabricantes de bombas até barões da mídia e vendedores de bandeirinhas....

O que mais me cortou o coração, foi a imagem dos bombeiros subindo as escadas do WTC acalmando as pessoas desesperadas que fugiam do prédio.

Por isso a celebração a eles pelos roqueiros assumiu um lado muito forte para mim,principalmente ao assistir ao The Who detonando “Who are you”em alto e bom som com corda toda , windmills e pulos do Pete;mal sabíamos que era uma das ultimas performances do John Entwistle.

Algumas sensações na véspera do ocorrido foram bem sintomáticas, desde comentar com uma amiga que achava naquela semana o planeta inteiro estar a beira de um pré colapso até uma ligação de um executivo norte americano(fã do Robin Trower e do Rory Galagher) querendo marcar uma entrevista sobre aulas, mostrando como o belicismo é mesmo uma merda para todos e para arte(espero que não tenha tido nenhum problema depois deste dia dude...)

O fato é que, estes marcos servem para balizar o quanto de nossas vidas passa no período corrido destes anos.

Vitórias, derrotas, tangos, tragédias,comédias , lagrimas e risos tudo num fluir continuo e maluco onde a transitoridade de tudo e todos se faz presente.

Numa bienal de arte me deparei com a obra do artista chinês Xu Bing feita com despojos do WTC onde um poema budista sobre transitoriedade dos fatos era escrita.(uma mandala conteporânea feita de cinzas) .O nome desta instalação era ‘’Where the dust itself Collect?”

Minha esposa achou o clima tão carregado que nem quis entrar na sala;lembro de crianças olhando encantadas pelo inusitado da obra ,provavelmente sem entender o fato, mas intuindo a verdade sobre a transitoriedade de tudo e todos....
Oka
15/9/09

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