Terra da garoa

O trânsito na Terra da garoa em dias de chuva assume proporções surreais, misturando cenas dignas de um filme do Fellini, com temperos de Mad Max e muito David Lynch, nesta nossa Blade Runner tropical(eita pseudo-intelectualismos ...)

Andar pela Av. Paulista na chuva é uma tarefa mais divertida de ser feira a pé, por incrível que pareça; graças as suas vitrines, bancas de jornal, cafés e memórias de ter uma grande parte da vida passada por lá. De carro, tal tarefa assume um caráter de psicodrama enclausurado.

A noite é um período que potencializa tudo, para o bem e para o mal. Pequenos problemas assumem uma proporção enorme; pequenos besouros viram monstros de ficção cientifica que atormentam a nossa psique.

O crepúsculo é ainda mais misterioso; um Zenith entre duas realidades distintas da natureza e por tabela do ser humano

Cá estava eu, neste final de sexta realizando este trajeto, voltando da Teodoro Sampaio, após fazer uma visita para o sansei Seizi Tagima que estava numa pilha só e contou só um pouco da sua trip até a Terra do timoneiro Mao

Preso por monstros de latão e “guerreiros” kamikazes sobre duas rodas, pensava na vida ao som do novo disco do Nguien Le.

O que pensava? Ora bolas: cada um no seu quadrado, digo: automóvel porra!

Foi o compositor John Cage o qual tanto teve a obra permeada pelo silêncio que afirmou encontrar a grande iluminação no barulhento bairro que morava; a volta pela Paulista neste horário é uma experiência de impacto similar.


Obs: O disco do Nguen é muito bom, chama-se Homescape, gravado totalmente em sua casa

Oka

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