Banzai...

Minha Avó,Tsukika Okayama, foi uma das primeiras pintoras japonesas a imigrar para o Brasil, em homenagem aos 100 anos da imigração, segue uma bio dela, em seguida posto algumas recordações e memórias sobre ela e sua obra

Nascimento/Morte Tsukika Okayama

1908 - Toyama (Japão)

1997 - São Paulo SP - agosto

Formação

s.d. - Japão - Inicia seus estudos

Cronologia

Pintora



1932 - São Paulo SP - Radica-se definitivamente nessa cidade e participa do Grupo Seibi

ca.1958 - São Paulo SP - Integra o Grupo Guanabara

1980 - Condecorado com a medalha de mérito artístico pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa

1991 - Recebe a Comenda Ana Neri pela contribuição a arte brasileira, outorgada pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração


(Enciclopédia Itaú Cultural

O Grupo Guanabara

O Grupo Guanabara, apesar de ter realizado poucas exposições, conseguiu conquistar seu devido espaço no contexto histórico-cultural brasileiro.

Constituído por idealistas, abrigou em seu bojo personalidades notáveis.

O trabalho dos artistas nos anos 50 teve sua base na década anterior, dando continuidade a ela. Foi antecedido por movimentos, de grupos ou artistas independentes, que buscavam acrescentar conhecimento à arte brasileira. Dessa forma, na década de 40, houve importante contribuição do Sindicato dos Artistas Plásticos, além de profissionais que estudaram na Europa e trouxeram informações para o Brasil, como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Iberê Camargo e outros.
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O berço do grupo
Tikashi Fukushima (1920-2001) era desenhista técnico numa fábrica de aviões da Mitsubishi. Veio para o Brasil em 1940 e morou em Lins, Pompéia e Marília, em São Paulo. Por volta de 1946, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com o pintor Tadashi Kaminagai (1899-1982). Permaneceu ali por vários anos, ajudando-o a fazer molduras, no Morro de Santa Tereza. A molduraria era um ponto de encontro de artistas.

A pintura surgiu como uma atividade casual, experimental. Fukushima costumava cortar as calças para fazer bermudas. Suas primeiras pinturas foram feitas nos retalhos das calças, que eram transformados em telas de brim: ele fazia o chassi na molduraria, esticava o tecido e pintava.

Segundo dizia o artista, pintar é como treinar caligrafia: cada pessoa tem a sua. E, para aprender a pintar, é importante errar e fazer novamente, até chegar ao resultado desejado.
Em 1949, voltou para São Paulo, instalando-se no então chamado Largo Guanabara (posteriormente conhecido como Estação do Metrô Paraíso), onde abriu sua própria molduraria. Mais tarde, o Largo Guanabara seria escolhido para dar nome ao grupo, simbolizando o ponto onde realmente começaram suas atividades.

Origem e formação
No princípio, alguns artistas, principalmente do bairro e adjacências, iam ao local em busca do trabalho do moldureiro Fukushima, que fazia molduras exclusivas, um verdadeiro trabalho artístico, esculpindo-as a canivete e até combinando a cor da madeira com a dos quadros.
Aos poucos, formou-se um grupo seleto de freqüentadores, que, unidos pelos mesmos ideais e objetivos semelhantes, voltavam sempre ao lugar, em franca camaradagem. Assim, a molduraria tornou-se um ponto de encontro de intelectuais e artistas.

A partir daí, outros foram se juntando ao grupo, como Maria José Calheiros de Mattos, conhecida como Marjô (1911-1999), que morava no Paraíso e convidou sua vizinha, Ismênia Coaracy (1918), igualmente pintora, para participar também.

Posteriormente, Arcângelo Ianelli (1922) introduziu no grupo seu irmão mais jovem, Thomaz Ianelli (1932-2001).

A primeira exposição dos artistas ocorreu na Galeria Domus. Wega Nery (1912) interessou-se bastante pela proposta do grupo e entrou em contato com Alzira Pecorari (1916). Depois disso, passou a participar dos encontros aos domingos.





O desenvolvimento do grupo
Fukushima mantinha a molduraria na parte da frente da casa, vivendo com a família nos cômodos posteriores. Para proteger os quadros recém-emoldurados, enquanto não eram retirados pelos donos, começou a pendurá-los nas paredes, em exposição. Essa atitude teve muita importância, na época, pois havia poucas galerias oficiais. Em geral, as obras de arte só eram encontradas em lojas de móveis e decoração.

Naturalmente, sem nenhuma intenção ou planejamento, o grupo foi se ampliando. Não havia uma proposta específica; os integrantes queriam apenas pintar, reunir-se, mostrar seus trabalhos.

Cada artista tinha sua formação particular, seja como autodidata, seja como aluno de pintores famosos. A grande maioria começara muito cedo, revelando já na infância tendência para a criação artística. É o caso de Ismênia Coaracy, que, em busca de um professor, procurou Yoshiya Takaoka (1909-1978) e lhe mostrou seu trabalho. Sua opinião foi a seguinte: “Uns fazem tintura; outros, pintura. Você faz pintura e não precisa de professor”.

Em 1949, quando conheceu o trabalho de Wega Nery, Takaoka fez questão de lhe dar aulas. Segundo ele, “queria, em Wega, mostrar a cor dentro da cor”.

Dessa formação heterogênea resultou uma variada gama de estilos, primitivistas, impressionistas, expressionistas, abstratos, concretistas e muitos mais, fato irrelevante para os integrantes do grupo. O importante era o fortalecimento do artista no convívio com um grupo que tinha o mesmo ideal: trabalhar e se aprimorar cada vez mais, buscando uma pintura nova, livre, que já existia no exterior. Essa pintura inusitada, que eles só conheciam por meio de livros, estava bastante difundida na Europa, no Japão e em outros países, mas ainda não chegara ao Brasil.

O Grupo Seibi e sua atuação
Havia também outros participantes, japoneses pertencentes ao Grupo Seibi, que, graças a Fukushima, freqüentavam a molduraria e passaram a se comunicar com os outros artistas, promovendo maior intercâmbio e enriquecimento para todos. Takaoka e alguns remanescentes do antigo Grupo dos 15 ou do Jacaré, como era conhecido, também se juntaram ao Guanabara. Foram eles: Tomoo Handa (1906-1996), Hajime Higaki (1908-1998), Takeshi Suzuki (1908-1987), Manabu Mabe (1924-1997), entre outros. Isso levou a supor que o Guanabara fosse uma continuação do Grupo dos 15, o que não é verdade.

O Grupo Seibi surgiu em 1935, com a intenção de unir e fortalecer a colônia japonesa no Brasil. Durante a Segunda Guerra, manteve-se inativo, devido à pressão política, que proibia qualquer agrupamento de japoneses. As comunidades japonesa e alemã, por serem ligadas ao Eixo, eram consideradas inimigas do Brasil, que apoiava os Aliados.

Japoneses e alemães não podiam aparecer publicamente nem se reunir, pois muitas vezes eram vistos como inimigos, correndo o risco de represálias. Pressionados pelo governo Getúlio Vargas, os japoneses foram obrigados a se mudar do centro para os bairros, como a Vila Mariana. Ofuscados pelo preconceito, dificilmente conseguiriam deslanchar na carreira artística nesse momento. Por isso, os pintores japoneses limitaram-se a temas mais intimistas, como naturezas-mortas e retratos, que não dependiam da observação das ruas. O Grupo Seibi retornou oficialmente no pós-guerra, em 1947, quando, por certo período, alguns integrantes se juntaram ao Guanabara.




O exercício da pintura
O casal Pecorari, Armando (Harmand,1903-1979) e Alzira, também artistas plásticos, costumava receber os integrantes do grupo em sua casa, situada na represa Billings, em São Paulo. Ali, na tranqüilidade típica dos locais afastados, podiam pintar e desfrutar a beleza da paisagem e dos elementos temáticos disponíveis.

Muitas vezes, nos fins de semana, encontravam-se na molduraria de Fukushima e dali iam, de ônibus ou de carro, ao “campo”, como chamavam as regiões ainda agrestes da Aclimação, Embu, Cambuci, Brooklin, Santo Amaro e Freguesia do Ó. Em outras ocasiões, simplesmente circulavam pelo bairro a pé, onde descobriam, na Igreja Santa Generosa e arredores, temas interessantes para explorar com seus criativos pincéis.

Quando, no fim do dia, voltavam ao ateliê, realizava-se o ritual da troca. Colocavam os trabalhos no chão, lado a lado, e então vinha o momento mágico. Todas as obras eram comentadas pelos colegas, com observações construtivas, sempre no intuito de aprimorar e desenvolver o sentido artístico de cada um.



Aprendizado em livros e museus
Além dos encontros na molduraria, do exercício conjunto da pintura, das discussões sobre arte e da troca de idéias, o pessoal do Guanabara reunia-se nas exposições e eventos artísticos da cidade. Na ânsia de aprender e atualizar-se, estavam sempre atentos às novidades.

Com a fundação do Masp, em 1947, aumentou a possibilidade de acesso a informações sobre os movimentos e novas tendências no exterior.

Estudar os grandes mestres, conhecer sua obra, foi fundamental para o crescimento dos artistas brasileiros. Thomaz Ianelli, muito jovem na época, tinha um hábito singular. Estudava profundamente outros artistas, repetindo às vezes suas experiências plásticas, acrescidas das próprias descobertas, o que produzia um enriquecimento de sua obra pessoal.

Alzira Pecorari, assídua freqüentadora do Masp, dizia: “Eu me preocupava com a pintura, queria fazer o melhor possível, no colorido e na técnica. Ia sempre ao museu, para estudar os pintores. Gostava muito de Cézanne e simplifiquei minha pintura, dentro do expressionismo. Passei a eliminar detalhes desnecessários, que estão ligados ao academicismo. Buscava a síntese e um estilo próprio, na cor e nas pinceladas”.

Fukushima não tinha a natureza do intelectual. Por isso, não estudava, como os outros. No entanto, no fim da tarde reunia-se ao pessoal no barzinho do museu, onde havia grande troca de idéias e de conhecimento.

Contribuição das Bienais
O surgimento das Bienais, em 1951, também teve grande importância na trajetória e no desenvolvimento dos artistas. Além de promoverem um elo cultural entre o Brasil e o exterior, essas exposições criavam oportunidade e espaço para divulgar a arte brasileira.

Influenciados pelas Bienais, que traziam a vanguarda da arte no mundo, vários integrantes do grupo começaram a praticar a técnica da abstração, descobrindo novas formas de expressão na síntese pictórica. Tikashi Fukushima e Arcângelo Ianelli iniciaram juntos seu processo de pesquisa e experimentação, seguindo caminhos paralelos e diferentes: Fukushima com o tachismo e Ianelli com a geometria sensível.

Enriquecimento da cultura brasileira
Os artistas do Guanabara, sem perceber, deram uma guinada na arte, ao lado de outros grupos da época. A década de 50 foi a fase mais profícua da arte brasileira, que proporcionou um fortalecimento real e significativo do movimento artístico.

Mesmo os que não ficaram muito conhecidos pela mídia dedicaram-se à arte durante toda a vida, como Alzira Pecorari, Marjô, Vicente Mecozzi, Germana de Angelis, Francisco Paulo Cuoco, entre outros.

Arte e família
Embora a arte fosse seu foco principal, os artistas conseguiram manter duas importantes atividades em harmonia: a artística e a familiar, com resultados dignos de nota.

Quando saíam para pintar, nos fins de semana, a maioria dos pintores levava a família. Enquanto as crianças faziam piquenique e brincavam no campo, os pais colhiam impressões e realizavam suas obras.



Mães pintoras
Ismênia Coaracy, por ter filhos pequenos na época, não podia freqüentar assiduamente a molduraria, restringindo-se à participação nas exposições. Mas, artista que era, criava condições para pintar ao ar livre, quando levava as crianças ao Parque do Ibirapuera, ao Canindé ou à Freguesia do Ó. Enquanto brincavam, ela pintava.

Alina Okinaka, quando livre das obrigações domésticas, às vezes desaparecia dentro de casa. Com o tempo, descobriu-se que se fechava no banheiro, onde podia ter privacidade e pintar em paz.

Tsukika Okayama, com todos os afazeres da casa, pintava nos intervalos das refeições.

Herança artística
Muitos filhos desses pintores, graças à convivência constante com a arte no âmbito familiar, desenvolveram profundo respeito e interesse por ela. Como resultado, seguiram os passos dos pais, partindo de experiências e revelando-se artistas. É o caso de Takashi Fukushima, Rubens Ianelli, Silvia Mecozzi, Roberto Okinaka e Yugo Mabe, entre outros.

O quadro como moeda corrente
Embora Tikashi Fukushima tenha passado por grandes dificuldades ao lado da família, jamais desistiu da arte. Muitas vezes, devido às circunstâncias, os quadros serviam de moeda de troca. Certa ocasião, conseguiu comprar um terreno pequeno e começou a construir, não uma casa com um ateliê, mas um ateliê com uma casa junto, para que, além de abrigar a família, ele pudesse continuar a pintar. Graças à amizade que fizera com alguns arquitetos do Mackenzie, trocou material de construção, divisórias, móveis e outros utensílios por quadros. E assim conseguiu concretizar seu sonho.

Exposições
O relacionamento dos artistas se fortalecia no exercício da arte, e novos participantes continuavam a chegar. Então, decidiram mostrar os trabalhos ao público. Assim, o grupo começou a organizar exposições, buscando apoio para os devidos eventos.

Foram cinco, sendo a primeira em 1950, na Galeria Domus; a segunda em 1951, no Instituto dos Arquitetos; a terceira em 1953, na Molduraria Fukushima; a quarta e a quinta em 1958 e 1959, ambas na Associação Cristã de Moços (ACM).

As mostras eram acrescidas de palestras e debates, o que as tornava bastante enriquecedoras, não só para os artistas como também para os visitantes. Na quarta exposição, em 1958, Lourival Gomes Machado e Sérgio Milliet falaram sobre temas que abarcavam a história da arte e do Grupo Guanabara, sua formação e objetivo. Valorizando as artes plásticas, afirmaram que os artistas e suas obras deveriam ser mais respeitados e divulgados. Defenderam ainda a importância dos grupos, por facilitarem ao público o acesso à arte.

Na época, o papel dos críticos era muito relevante. Bastante respeitados, suas observações eram levadas a sério pelos artistas, contribuindo, diversas vezes, para o engrandecimento de suas obras.



Artistas integrantes
Foram fundadores do Grupo Guanabara, com intensa participação durante sua existência: Alzira Pecorari (1916); Armando Pecorari (Harmand,1903-1979); Arcângelo Ianelli (1922); Maria José Calheiros de Mattos (Marjô, 1911-1999); Takeshi Suzuki (1908-1987); Tikashi Fukushima (1920-2001); Tomoo Handa (1906-1996); Yoshiya Takaoka (1909-1978) e Yuji Tamaki (1916-1979).

Agregaram-se ainda: Alina Okinaka (1920-1991); Hideomi Ohara (1925); Ismênia Coaracy (1918); Kichizaemon Takahashi (1908-1977); Manabu Mabe (1924-1997); Masanosuke Hashimoto (1935); Massao Okinaka (1913-2000); Thomaz Ianelli (1932-2001); Tsukika Okayama (1908-1997) e Wega Nery (1912).

Participaram apenas das exposições: Ernestina Sanna Karman (1915-2004); Francisco Carlos Paulo Cuoco (1928); Germana de Angelis (1930); Hajime Higaki (1908-1998); Jacyra Pereira de Campos; Jorge Mori (1932); Kenjiro Masuda (1915-1960); Mari Yoshimoto (1931-1992); Maria Antonieta de Souza Barros (1911-1979); Norberto Nicola (1931); Oswald de Andrade Filho (Nonê, 1914-1972); Sophia Tassinari (1927); Tomie Ohtake (1913); Vicente Mecozzi (1909-1964) e Walter Shigeto Tanaka (1910-1970).

A primeira exposição, em 1950, contava com os nove fundadores e mais: Hajime Higaki, Jacyra Pereira de Campos, Jorge Mori e Kenjiro Masuda, totalizando treze pintores. E, num crescendo, a última, em 1959, apresentou vinte e nove artistas. No entanto, o Guanabara, em sua existência, chegou a ter trinta e quatro participantes.



A postura do grupo
Apesar de o Guanabara ter sido um grupo, sua posição nunca foi política, mas estética, antes de mais nada. O que unia esses pintores eram os valores da beleza e da arte, independentemente de estilos ou temáticas. Respeitavam-se naturalmente, cada qual com sua linguagem pessoal, produzindo, convivendo e criando em harmonia num ambiente em que a musa era a arte, qualquer que fosse a maquiagem.
Na opinião de Oswald de Andrade Filho (Nonê), faltava ao grupo o “espírito polêmico”, que lhe teria dado mais vida e prestígio. Mas essa nunca foi, definitivamente, a intenção dos artistas. Queriam apenas espaço para criar e apresentar sua arte.




As pedras do caminho
Embora a luta pelo reconhecimento e conseqüente retorno financeiro seja uma realidade na vida do artista, nota-se uma situação peculiar entre os participantes do Grupo Guanabara. Composto, em sua maioria, por imigrantes ou descendentes de imigrantes, italianos ou japoneses, o grupo já trazia uma bagagem artístico-cultural familiar. Assim, de alguma forma, recebeu incentivo emocional ou financeiro, o que amenizou um pouco as agruras do caminho.

Preconceitos
Os integrantes do Guanabara, provavelmente devido a sua integridade e coragem, que os levava a expressar a arte que lhes vinha à alma, independentemente de modismos vigentes, foram bastante visados e atacados pela crítica da época, que pretendia enquadrá-los em seus padrões de amostragem. Mas aqueles que respeitavam o direito da livre expressão artística, como Quirino da Silva, Ibiapaba Martins, Vicente Mecozzi, Osório Cesar e outros, assumiram sua defesa. Os jornais travavam uma verdadeira batalha — com grosseiros e tendenciosos ataques ao grupo, seguidos de furiosas e apaixonadas defesas da liberdade de expressão artística — contra “a crítica aventureira”, como foi apelidada por Quirino da Silva.

Outra particularidade interessante foi a pressão sofrida pelas várias mulheres participantes do grupo. Aceitas como iguais pelos colegas do Guanabara, não encontraram o mesmo respeito por parte de alguns críticos, que as tratavam com acintosa discriminação, dando preferência aos homens. Saíram até artigos em jornais referindo-se às artistas de maneira pouco elegante ou satírica, o que caracterizava o preconceito machista. O desrespeito era tanto que chegaram a ser chamadas de “Grupo das Donas-de-Casa”.

Wega Nery foi um exemplo marcante dessa discriminação, principalmente quando, na IV Bienal, recebeu o prêmio de Melhor Desenhista Nacional e sentiu a resistência dos críticos brasileiros pelo fato de ela, uma mulher, ter sido escolhida pelos estrangeiros.

Assim como surgiu, sem compromisso, sem premeditação, após dez anos de existência o Grupo Guanabara foi-se diluindo lentamente. Alguns artistas se afastaram por motivo de viagem, outros desistiram ou desanimaram. Aos poucos, deixaram de promover exposições, o que levou ao encerramento do grupo. Segundo Ismênia Coaracy, “o artista é naturalmente individualista. Expõe-se e participa de um grupo durante um tempo, e isso é bom. Mas tem de continuar sua caminhada. Os especiais não podem ser grupais, para que não sejam vítimas do modismo, da massificação, risco intrínseco ao próprio grupo”.

Encontros pós-Guanabara
Como toda boa semente gera frutos, o espírito do Grupo Guanabara manteve-se vivo, durante muitos anos, no relacionamento de vários de seus integrantes, que mantiveram contato, trocando idéias e crescendo juntos. Foi o caso de Thomaz Ianelli, Mecozzi, Tomie Ohtake, Mabe, Fukushima, Alzira e Armando Pecorari, Ernestina Sanna Karman, Mari Yoshimoto, Wega Nery, Ismênia Coaracy e Norberto Nicola. Encontravam-se em exposições, conversavam, consultavam-se a respeito de novas propostas, trocavam opiniões sobre as obras.

Alzira Pecorari também cultivou amizade com Arcângelo Ianelli e Fukushima. Sempre que podiam, reuniam-se para falar sobre arte.

Sophia Tassinari e Germana de Angelis conversavam por telefone, relembrando os tempos do Guanabara, assim como Wega Nery e Marjô, fiéis à sua natureza rebelde e semelhante. Portanto, na realidade, o Grupo Guanabara só desapareceu oficialmente, mantendo-se vivo no coração de seus participantes.





Trajetórias
Após a dispersão natural do grupo, cada um seguiu seu rumo. Uma parte desistiu, mas a maioria continuou com o trabalho artístico. Depois de muita luta, tornaram-se grandes artistas e conquistaram espaço nos panoramas culturais brasileiro e internacional.

Alguns são facilmente reconhecidos. Outros, no entanto, sem interesse nos jogos da mídia, permaneceram trabalhando isoladamente, produzindo respeitáveis acervos.

Segundo Norberto Nicola, os brasileiros dificilmente compravam obras de brasileiros, e quem ia à Europa preferia os artistas estrangeiros. A partir de 1950-1960, esse panorama mudou e o produto artístico nacional passou a ser mais valorizado.

Durante dez anos, de 1960 a 1970, Sophia Tassinari manteve a Galeria Azulão, em São Paulo, onde expôs artistas do Brasil inteiro, sem preconceitos nem restrições. Na época de Natal, a Azulão promovia também uma feira bastante singular, para a qual eram convidados artistas e amantes da arte de todo o Brasil. Bem organizada e muito concorrida, a feira visava, segundo sua criadora, a socialização da arte, para o bem de todos. Havia um preço único e barato. A intenção era, além de ajudar os artistas, permitir que todos os interessados pudessem ter acesso às obras, comprando um bom trabalho por preço razoável. Cada artista chegava a vender por volta de 150 a 200 trabalhos, entre gravuras e desenhos. Dessa forma, além de ganharem dinheiro, tornavam-se mais conhecidos em todo o Brasil.

Participaram ativamente Tikashi Fukushima, Germana de Angelis, Bonadei, Thomaz Ianelli, Ismênia Coaracy, Takaoka, Alzira Pecorari, Marjô, Manabu Mabe, Aldemir Martins, Gustavo Rossi, Rebolo, Zanini, Otávio Araújo, Guersoni e outros.

Retrospectivas
Como todo movimento que deixou marcas em sua trajetória, o Grupo Guanabara não poderia ser esquecido. Em abril de 1992, houve uma retrospectiva do grupo, organizada por Renato Magalhães Gouvêa, do Escritório de Arte, com a presença de vários artistas remanescentes do grupo.

ALZIRA PECORARI (São Paulo, SP, 1916) Em 1947, fez aulas de desenho e pintura com Gino Bruno. Estudou escultura com Teresa D’Amico e mural com Samson Flexor. Foi uma das fundadoras do Grupo Guanabara, ao lado do marido, Armando Pecorari (Harmand). Apesar de sua extensa produção artística, participou de poucas exposições.

ARCANGELO IANELLI (São Paulo, SP, 1922) Iniciou-se no desenho como autodidata. Em 1940, estudou perspectiva na Associação Paulista de Belas Artes e, em 1942, teve aulas de pintura com Colette Pujol. Freqüentou o ateliê de Waldemar da Costa. Em meados de 1944, dedicou-se ao estudo de mural e afrescos. Foi um dos fundadores do Grupo Guanabara. Inicialmente figurativo, voltou-se à pintura abstrata a partir de 1960. Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior e recebeu o Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, passando os anos de 1965 a 1967 na Europa. Participou do movimento artístico brasileiro como expositor, foi membro de júri e curador de mostras. Ilustrou vários livros e realizou inúmeros painéis. Tem livros, filmes e vídeos publicados sobre sua obra, seu trabalho e atividades artísticas desenvolvidas durante mais de cinqüenta anos.










Fundadores do Grupo Guanabara

ARMANDO PECORARI (Harmand) (São Paulo, SP,1903-São Paulo,1979) Desde pequeno, mostrou grande habilidade para o desenho. Na época da guerra, passou a desenhar as máquinas e montou uma indústria metalúrgica, à qual se dedicou totalmente. Acompanhou a esposa, Alzira Pecorari, nos encontros do Grupo Guanabara, onde exerceu a pintura por diletantismo. Participou de todas as exposições do grupo, sendo um de seus fundadores.

MARIA JOSÉ CALHEIROS DE MATTOS (Marjô) (Santa Luiza do Norte, AL, 1911-São Paulo, SP, 1999) Estudou com Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Takaoka e Takeshi Suzuki, em São Paulo. Em 1950, foi um dos fundadores do Grupo Guanabara. Em 1970, colaborou na fundação da Associação de Artes Plásticas Cândido Portinari.

TAKESHI SUZUKI (Tóquio, Japão, 1908-Brasil, 1987) Takeshi Suzuki foi o primeiro japonês a se formar arquiteto no Brasil, pela Escola de Engenharia do Mackenzie, em 1933, em São Paulo. Estudou pintura com Teodoro Braga e integrou o Grupo Seibi (1947), sendo presidente por dez anos. Foi um dos fundadores do Grupo Guanabara, em 1950. Além dessas atividades, projetou e construiu vários edifícios, entre eles o Centro Cultural Brasil-Japão e o Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera. De 1960 a 1987, atuou como primeiro presidente do Hakuiôkai, grupo de teatro clássico Nô. Em 1986, publicou o livro Budismo — Do Primitivo ao Japonês.

TIKASHI FUKUSHIMA (Kashima, Japão, 1920 - São Paulo, SP, 2001) Chegou ao Brasil em 1940 e morou em Pompéia e Lins, no interior de São Paulo. Em 1946, transferiu-se para o Rio de Janeiro e trabalhou com o pintor Tadashi Kaminagai. Entre 1947 e 1948, no Rio de Janeiro, freqüentou aulas, como ouvinte, na Escola Nacional de Belas Artes. Instalou-se em São Paulo em 1949, onde foi integrante do Grupo Seibi e, em seguida, um dos fundadores do Grupo Guanabara. Entre 1977 e 1990, atuou como presidente da Comissão de Artes Plásticas da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa. Em 1979, tornou-se membro da Comissão de Artes da Fundação Brasil – Japão de Artes Plásticas.

TOMOO HANDA (Utsunomiya, Japão, 1906 - Atibaia,1996) Imigrou com a família para o interior do Estado de São Paulo, em 1917. Em 1920, foi para a capital e estudou com Paulo Vergueiro Lopes de Leão na Escola de Belas Artes, de 1932 a 1935. Em 1935, fundou o Grupo Seibi com outros artistas. Entre 1948 e 1949, integrou o Grupo 15. Em 1950, participou da criação do Grupo Guanabara. Foi também um dos realizadores do Primeiro Salão de Arte da Colônia Japonesa em São Paulo, em 1952.

YOSHIYA TAKAOKA (Tóquio, Japão, 1909 - São Paulo, SP, 1978) Estudou pintura com Shin Kurihara, em Tóquio, entre 1921 e 1925. Então veio para o Brasil, instalando-se em Cafelândia, SP, onde trabalhou na lavoura de café. De 1926 a 1929, cursou a Escola Profissional Masculina. Em São Paulo, conviveu com pintores do Grupo Santa Helena a partir de 1931. Em 1935, formou o Grupo Seibi, além de aperfeiçoar sua pintura com Bruno Lechoswky, integrando-se ao Núcleo Bernardelli. Entre 1948 e 1949, participou da formação do Grupo15. Em 1950, foi um dos fundadores do Grupo Guanabara. Entre 1952 e 1954, viajou para Paris (França), onde freqüentou a Académie de la Grande Chaumière e o curso Leonardo da Vinci, no qual estudou a técnica de mosaico com Gino Severini.

YUJI TAMAKI (Fukui, Japão, 1916-São Paulo, SP, 1979) Em 1932, instalou-se em uma fazenda do interior paulista. Em 1934, viajou a pé com Takaoka, com o intuito de estudar pintura. No Rio de Janeiro, recebeu orientação de Bruno Lechowsky, passando a integrar o Núcleo Bernardelli. Em 1935, integrou o Grupo Seibi, onde lecionou pintura em 1940, tendo como alunos Manabu Mabe e Tsukika Okayama. Em 1948, foi membro do Grupo 15 (Grupo do Jacaré) e, em 1950, participou da fundação do Grupo Guanabara.

ALINA OKINAKA (Hokkaido, Japão, 1920-São Paulo, SP, 1991) Chegou ao Brasil em 1930 e morou em Registro, SP. Em 1947, casou-se com o pintor Massao Okinaka. Iniciou sua formação artística no Instituto de Belas Artes Bom Pastor, onde estudou com Alfredo Oliani e Dario Mecatti. Trabalhou na Cerâmica Tasca, em São Paulo. Participou do Grupo dos 15, do Grupo Seibi e do Grupo Guanabara. Identificou-se com a escola de Paris.

ERNESTINA SANNA KARMAN (Santos, SP, 1915-São Paulo, SP, 2004) Apesar do exercício do jornalismo e da vida familiar, encontrou tempo para a arte, expondo com o Grupo Guanabara.

FRANCISCO CARLOS PAULO CUOCO (São Paulo, SP, 1928) Estudou desenho e pintura na Escola de Belas Artes de São Paulo. Em 1952, viajou para a Europa, fixando-se na Itália, onde teve aulas com Purificato e Dante Vagnetti. No Brasil, estudou com Theodoro Braga e Rocha Ferreira. Em 1954, em São Paulo, realizou exposições individuais no MAM e na escola de Belas Artes. Lecionou na Escola de Belas Artes Santa Marcelina e participou de exposições do Grupo Guanabara.

GERMANA DE ANGELIS (Rio de Janeiro, 1930) Filha do maestro Arturo de Angelis e da cantora lírica Olga Simzis, radicou-se em São Paulo. No Colégio Dante Alighieri, estudou desenho com Penachi. Na década de 40, teve aulas de pintura com Antonio Rocco. Em 1952, participou da Bienal Internacional de São Paulo. Além disso, tomou parte em várias exposições, inclusive do Grupo Guanabara. Desenhou figurinos para óperas. A partir de 1958, foi também figurinista da escola de bailados municipal. Fez gravuras em linóleo e ilustrou livros. Atuou como secretária adjunta do Clube dos Artistas e cursou cenografia com Gianni Ratto.

HAJIME HIGAKI (Imabari, Japão, 1908-São Paulo, SP, 1998) Na década de 20, estudou com Iori Saito e Takeji Fukushima e também na Academia Kawabata, em Tóquio, Japão. Imigrou para o Brasil em 1929 e pouco depois cursou a Escola de Belas Artes de São Paulo. Em 1935, foi um dos fundadores do Grupo Seibi. Freqüentou algumas sessões de desenho do Grupo Santa Helena e participou do Grupo 15 e do Grupo Guanabara. Em 1959, viajou para Paris, França, a fim de estudar e conhecer artistas.

HIDEOMI OHARA (Japão, 1925) Em São Paulo, estudou com Yoshiya Takaoka. Sua pintura se enquadra na escola expressionista. Participou da I Bienal Internacional de São Paulo. Realizou a primeira exposição individual em Londrina e também fez parte do Grupo Guanabara.

ISMÊNIA COARACY (Sertãozinho, SP, 1918) Ismênia de Araújo Coaracy iniciou-se na pintura em 1946, como autodidata. Em 1956, estudou gravura com Lívio Abramo, na Escola de Artesanato do MAM, e história da arte com Wolfgang Pfeiffer. Em 1958, entrou para o Grupo Guanabara. Fez curso de pré-história com Paulo Duarte e de cerâmica e escultura com André Osze. Em 1960, passou a integrar os júris de salões de arte. Foi ilustradora dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Leitura (publicação cultural da Imprensa Oficial de São Paulo). Lecionou desenho e pintura na clínica psiquiátrica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em 1962, estudou pintura mural com Clóvis Graciano, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Na década de 70, promoveu experiências com filmes super-8.

JACYRA PEREIRA DE CAMPOS Em São Paulo, freqüentou o Clube dos Artistas. Tornou-se amiga de Marjô, que a convidou a expor com o Grupo Guanabara.

JORGE MORI (São Paulo, SP, 1932) Iniciou os estudos de pintura com Yoshya Takaoka, em 1944. Sua primeira exposição individual ocorreu em 1947, aos catorze anos de idade. Participou do Grupo Guanabara entre 1950 e 1952. Em 1952, viajou para Paris a fim de estudar técnicas de pintura, mosaico e afresco. Como autodidata, dedicou-se a copiar obras clássicas no Museu do Louvre para aprender as técnicas de grandes mestres como Botticelli, Fra Angélico e Paolo Uccello, entre outros. Em 1960, retornou à França para pesquisar a utilização da técnica clássica do glacis.

KENJIRO MASUDA (Tokushima, Japão,1915-São Paulo, SP, 1960) Chegou ao Brasil em 1929. A partir de 1947, participou do Grupo Seibi.
Em 1948, entrou para o Grupo dos 15 e, em 1950 e 1951, foi membro do Grupo Guanabara.

KICHIZAEMON TAKAHASHI (Miyazaki, Japão,1908-São Paulo, SP, 1977) Imigrou para o Brasil em 1927, fixando residência no interior de São Paulo. Em 1931, mudou-se para São Paulo, onde, cinco anos depois, estudou na Sociedade Paulista de Belas Artes e na Escola de Belas Artes. Na mesma época, integrou o Grupo Seibi. Participou também do Grupo Guanabara, em 1950. Em 1959, abandonou a pintura a óleo, devido a problemas de saúde, e passou a dedicar-se à aquarela, técnica em que se distinguiu no registro de paisagens urbanas. Lecionou na Sociedade Paulista de Belas Artes e trabalhou como desenhista no jornal O Globo, no Rio de Janeiro.

MANABU MABE (Kumamoto, Japão, 1924-São Paulo, SP, 1997) Partindo de Kobe, Japão, imigrou para o Brasil em 1934. Trabalhou na lavoura de café no interior de São Paulo. Pesquisou como autodidata em revistas japonesas e livros sobre arte. Em 1945, na cidade de Lins, SP, aprendeu a preparar a tela e a diluir tintas com o pintor e fotógrafo Teisuke Kumasaka. Em 1940, em São Paulo, conheceu o pintor Tomoo Handa (1906-1996), a quem mostrou seus trabalhos. Foi integrante do Grupo Seibi e participou das reuniões do Grupo 15. Estudou com Yoshiya Takaoka (1909-1978) e fez parte do Grupo Guanabara. Em 1957, vendeu seu cafezal em Lins e mudou-se para São Paulo, onde passou a dedicar-se exclusivamente à pintura.

MASANOSUKE HASHIMOTO (Gumma, Japão, 1935) Estudou na Universidade de Gumma. Aprendeu pintura com Tane Shimizu e participou do Grupo Seibi. Em 1958, agregou-se ao Grupo Guanabara. A partir de 1959, passou a morar no Rio de Janeiro.

MARI YOSHIMOTO (Santa Rosa do Viterbo, SP, 1931-s.l.,1992) Estudou arquitetura contemporânea no Instituto Goethe. Em São Paulo, fez cursos de história da arte, etnologia e arqueologia no Masp. Em 1937, aprendeu estética com Anatol Rosenfeld (1912-1973) e teatro com Zé Celso (1937). De 1955 a 1957, teve aulas de pintura com Massao Okinaka (1913-2000). De 1962 a 1964, fez curso de decoração no Instituto de Arte e Decoração (IADÊ). De 1965 a 1968, cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP). Em 1965, estudou comunicação visual com Flávio Império (1935-1985). De 1950 a 1959, participou do Grupo Guanabara.

MARIA ANTONIETA DE SOUZA BARROS (São Paulo, SP, 1911-s.l., 1979) Em 1938, começou a dedicar-se à pintura. Estudou com Takaoka, Karl Plattner e Samson Flexor e freqüentou cursos no Masp. De 1950 a 1959, participou do Grupo Guanabara.
MASSAO OKINAKA (Kyoto, Japão,1913-São Paulo, SP, 2000) De 1928 a 1932, em Kyoto, estudou com Onishi Kakyo na Escola Sanae e com os professores Kuroda Jyutaro e Narahara Kenzo na Escola de Belas Artes de Kansai. Em 1932, chegando ao Brasil, instalou-se em Lins, SP. Em 1940, transferiu-se para São Paulo, onde, em 1947, se casou com a pintora Alina Rei Takaishi. No mesmo ano, foi integrante do Grupo Seibi. Lecionou pintura para Lydia Okamura e Mari Yoshimoto. De 1948 a 1949, participou do Grupo dos 15. Em 1953, entrou para o Grupo Guanabara. Em 1964, deu aulas de sumiê na Aliança Cultural Brasil-Japão, na Fundação MOA do Brasil e na Galeria/Escola Art & Risco. Em 1980, viajou para Itália, Espanha, Portugal, Alemanha e Holanda e fez aquarelas retratando aspectos paisagísticos de cada um desses países. Integrou-se à Associação dos Artistas de São Paulo, à Associação dos Artistas Internacionais Unesco e formou o Grupo Ypê de Sumiê.

NORBERTO NICOLA (São Paulo, SP, 1930) Em 1954, aprendeu pintura com Samson Flexor, no Atelier Abstração, e freqüentou o curso de Formação de Professores de Desenho, na FAAP. Em 1959, estudou nos centros tapeceiros europeus e criou, com Jacques Douchez, o Ateliê Douchez-Nicola de Tapeçaria. Em 1980, idealizou e organizou a mostra A Arte Plumária do Brasil, com obras de seu acervo pessoal e peças de três museus etnográficos brasileiros, totalizando exemplos de 52 tribos. Esse material foi exposto no MAM, em São Paulo. Em 1987, publicou um livro sobre a arte plumária do índio brasileiro, em co-autoria com a antropóloga Sônia Ferraro Dorta. De 1958 a 1959, participou do Grupo Guanabara.

OSWALD DE ANDRADE FILHO (Nonê) (São Paulo,1914-Guarujá, SP, 1972) José Oswald Antônio de Andrade, também conhecido como Nonê Andrade, é filho de Oswald de Andrade. Por volta de 1924, iniciou-se na pintura com Tarsila do Amaral. Entre 1920 e 1929, fez várias viagens de estudos à Europa e ao Oriente Médio. De 1931 a 1934, estudou pintura com Portinari e música com J. Otaviano. Em 1933, participou do Clube dos Artistas Modernos e colaborou no Teatro da Experiência. Entre 1934 e 1936, teve aulas com Tarsila do Amaral e Lasar Segall. De 1950 a 1959, fez parte do Grupo Guanabara. Foi diretor do Museu de Artes e Técnicas Populares e do Teatro Municipal de São Paulo.

SOPHIA TASSINARI (São Paulo, SP, 1927) Iniciou seus estudos artísticos com Theodoro Braga, em São Paulo. Desde tenra idade, tornou-se aluna de Anita Malfatti. Participou do Sindicato dos Artistas Plásticos e dos grupos da época, como o Guanabara. Foi pintora, ceramista, muralista, gravadora, escultora, designer de jóias, restauradora, cenógrafa, professora, decoradora e pianista. Atuou ainda como diretora da Galeria de Arte Azulão.

THOMAZ IANELLI (São Paulo, SP, 1932-São Paulo, SP, 2001) Interessou-se pelo desenho publicitário nos anos 50. Em 1953, estudou desenho com Angelo Simeone na Associação Paulista de Belas Artes. Em 1958, participou do Grupo Guanabara. Em 1961, recebeu como prêmio no Concurso Velázquez do MAM/RJ uma viagem à Europa. Em 1965, ministrou curso de arte e desenho no Centro de Estudos Brasileiros, em Lima, Peru. Em 1958, tornou-se membro do Conselho da Associação Internacional de Artes Plásticas da Unesco, e em 1959 foi o primeiro presidente da Associação Profissional de Artistas Plásticos. Em 1997, ilustrou O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.

TOMIE OHTAKE (Kyoto, Japão, 1913) Chegou ao Brasil em 1936 e fixou-se em São Paulo. Em 1952, iniciou os estudos de pintura com Keisuke Sugano. Em 1953, participou do Grupo Seibi. Em 1957, fez a primeira exposição individual, no MAM de São Paulo. Em 1969, trabalhou com serigrafia e posteriormente executou litografias e gravuras em metal. Realizou diversas obras públicas, como o painel pintado no Edifício Santa Mônica, na Ladeira da Memória, em São Paulo; a escultura Estrela do Mar, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro; a escultura em homenagem aos oitenta anos da imigração japonesa no Brasil; e painéis para o Memorial da América Latina e para a estação Consolação do Metrô de São Paulo. Em 2000, foi inaugurado o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, idealizado e coordenado por Ricardo Ohtake e projetado por Ruy Ohtake.

TSUKIKA OKAYAMA (Toyama, Japão, 1908-São Paulo, SP, 1997) Iniciou os estudos no Japão. Em 1932, imigrou para o Brasil e se instalou em São Paulo, onde participou ativamente do Grupo Seibi. Em 1958, agregou-se ao Grupo Guanabara. Em 1980, foi condecorada com a Medalha de Mérito Artístico pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa. Em 1991, recebeu a Comenda Ana Neri pela contribuição à arte brasileira, outorgada pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração.

VICENTE MECOZZI (Frascatti, Itália,1909-São Paulo, SP,1964) Vicente Caetano Onorato Mecozzi chegou ao Brasil com o pai, o pintor Arnaldo Mecozzi, e fixou residência em São Paulo. Estudou na Escola de Belas Artes, tendo aulas com o pai e com Lopes de Leão. Foi um dos incentivadores do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e fundador do Clube de Artistas de São Paulo. Decorou, auxiliado pelo pai, o Santuário do Sagrado Coração de Maria e a Capela Funerária dos Padres Jesuítas no Cemitério do Santíssimo, além da Matriz do Brás, de Jundiaí e de Santos. Por volta de 1940, agregou-se à Família Artística Paulista. Em 1958 e 1959, participou de exposições do Grupo Guanabara. Lecionou em vários colégios de São Paulo.

WALTER SHIGETO TANAKA (Kumamoto, Japão, 1910-São Paulo, SP, 1970) Iniciou-se em pintura no Japão. Em 1930, imigrou para o Brasil. De 1931 a 1935, estudou na Escola de Belas Artes de São Paulo, sendo expulso por indisciplina. Foi um dos fundadores do Grupo Seibi, em 1935. Em 1949, passou a fazer parte do Grupo dos 15 e, em seguida, do Grupo Guanabara.

WEGA NERY (Corumbá, MT, 1912) Em 1932, Wega Nery Gomes Pinto escreveu e publicou poesias na revista carioca O Malho, usando o pseudônimo de Vera Nunes. Nesse mesmo ano, tornou-se professora. De 1943 a 1945, ficou hospitalizada, o que a fez retornar à prática da pintura. De 1946 a 1949, estudou desenho e pintura na Escola de Belas Artes, em São Paulo. Por volta de 1950, aperfeiçoou seus estudos com Joaquim da Rocha Ferreira, Yoshiya Takaoka e Samson Flexor. Em 1953, participou do Grupo Guanabara e do Atelier Abstração, liderado por Samson Flexor. Sua primeira exposição individual ocorreu no Masp em 1955. Lecionou desenho e pintura na Sociedade Cívica Feminina de Santos, em 1963. Participou de diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, recebeu o prêmio de Melhor Desenhista Nacional, em 1957, e o prêmio Aquisição Nacional, em 1963. Em 1994, o Centro Cultural São Paulo realizou uma retrospectiva em homenagem aos oitenta anos da artista.

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