Um professor
meu da faculdade, costumava dizer que qualquer bom profissional( de
qualquer atividade/oficio ,diletante ou não), era em primeira instancia um bom
“fuçador” e pesquisador do assunto em questão.
Numa Era em
que a digitalização das informações tornou o conhecimento paradoxalmente tão
próximo de um clique ,que se torna utópico , (dado a confusão que se apresenta
na rede) fazer paralelos e ligações se torna vital para dar seqüência a nossos atos
e pensamentos.
Lembro-me
até hoje em ter comprado a primeira
edição do “Fabulario Geral do Delirio Cotidiano” do Bukowski ,que se tornou uma
espécie de referencia para minha vida e
arte. A famosa capa onde Buk pegava na cintura de uma “moça da vida” e segurava
uma garrafa de cerveja num quarto bagunçado, já dava a entender aonde a coisa
ia e de onde ele vinha. Devorei tudo que
pude de sua obra(mesmo a parte ainda não traduzida, incluso seus poemas).Me
poupou uma boa grana de terapia e analise, dada a força ,luz, leveza e ,acima
de tudo, humor lúcido e sadio que emana de sua escrita
A partir da
obra de Buk tomei gosto por outros escritores que ele citava como: Hemingway ,poetas
chineses clássicos e principalmente John
Fante, sua maior influencia declarada.
Mas o fato
é que outra grande referencia musical em minha vida veio das citações de
Bukowski: Gustav Mahler, aquele que foi
talvez a ponte final que se rompeu para o fim das amarras tonais.O alter ego de
Sigmund Freud na musica, o desbravador das camadas do inconsciente através das suas camadas densas de orquestrações
, onde os detalhes da musica refletiam a busca da essência e drama da existência
humana...
Cada vez mais vejo (antes de tudo como fã da arte ...) uma busca pragmática
típica de nossa tecnocracia ,onde o espírito
fica secundário em relação a arte , num momento onde a fama é o destino de
desejo da maioria do rebanho, cada vez mais histérico e fútil.
Inspiração,
força , verdade e muita vida é o que se encontra de sobra na obra destas duas
verdadeiras instituições; Buk e Mahler.
Segue
abaixo o primeiro movimento da Sinfonia numero um de Mahler, regência do
maestro Claudio Abbado, no meu humilde entender, quem melhor resolveu a regência
de sua obra.
Enjoy.....





